O arrependimento sincero

O filho pródigo reconheceu a sua culpa. Nós também precisamos reconhecê-la. Mas, para a consciência poder ser nisto bem sincera, é necessário que admita uma verdade básica: que a falta de virtude não é nunca uma limitação ou uma fatalidade, e que portanto, sempre que se carece de uma virtude ou se pratica um ato contrário a ela, existe culpa e, como o filho pródigo, é preciso dizer: Pequei!
Onde não há culpa é nas nossas limitações: por exemplo, na nossa falta de habilidade para contar casos, ou para penetrar nos segredos do cálculo diferencial, ou para cantar afinadamente. Da mesma forma que não há culpa nas “fatalidades” – nome impróprio que damos às contrariedades permitidas por Deus –, como é o caso infeliz de quem machuca uma criança que pulou na frente do carro atrás de uma bola.
Ora, as faltas de virtude não se enquadram em nenhum dos dois casos anteriores. Pecados como a impaciência, a preguiça, o egoísmo sensual, a mentira, a desonestidade nos negócios, a inconstância, a deslealdade, a crítica…, não são limitações psicológicas nem fatalidades, mas culpas nossas, de que devemos responsabilizar-nos.
Talvez se diga que, em certas ocasiões, é tão difícil praticar uma virtude, que tudo parece desculpar-nos. Mas Deus nosso Senhor retrucará que para cada dificuldade há uma graça que Ele nos oferece, e que é próprio do cristão não ficar esmagado pelos obstáculos, antes crescer através deles, fortalecendo a virtude na própria dificuldade.
É por isso que não podemos encarar os nossos pecados como uma espécie de “falha no circuito” ou defeito técnico inevitável, mas como frutos culpáveis do egoísmo, que não soube vencer-se como devia em cada ocasião: aceitando pacientemente os defeitos dos outros, sacrificando um prazer momentâneo para não trair a fidelidade, apertando um pouco mais o horário de um domingo para garantir a assistência à Missa, etc.
Tudo isto é algo que devemos levar muito em conta ao fazermos os nossos exames de consciência e ao prepararmos as nossas confissões. Não esqueçamos que, ao Sacramento da Confissão, vamos “acusar-nos”, não “desculpar-nos”. Assim, a sinceridade da contrição será plena.
Do livro Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens, e F. Faus
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PISARÁS SOBRE LEÕES E DRAGÕES

OS SALMOS, NOSSO ESPELHO

11 – PISARÁS SOBRE LEÕES E DRAGÕES

─ Ele dará ordens a seus anjos para te guardarem em todos os teus passos. Em suas mãos te levarão para que teu pé não tropece em nenhuma pedra. Caminharás sobre a cobra e a víbora, pisarás sobre o leão e o dragão (Salmo 91,11-13).

Em um dos seus sermões sobre os Salmos, Santo Agostinho faz um comentário muito arguto sobre as imagens do leão e do dragão. Vale a pena transcrever as suas palavras, tendo em conta que fala a cristãos do século IV e V, tempos em que não mais eram perseguidos pela sua fé, mas guardavam a memória recente das terríveis perseguições dos imperadores romanos até inícios do século IV, relatadas por seus pais e avós.

«Como os nossos pais precisaram de paciência contra o leão [o poder político do perseguidor pagão], assim também nós precisamos de vigilância contra o dragão [o sutil veneno que engana]. A perseguição contra a Igreja nunca cessa, quer por parte do leão quer por parte do dragão, e mais se deve temê-la quando engana do que quando se assanha.

»Em outros tempos, incitava-se os cristãos a renegarem Cristo; nestes, ensina-se a negar a Cristo. Então a perseguição esmagava, agora ensina; então usava de violência, agora de insídias; então ouviam-na rugir, e agora, apresentando-se com aparente mansidão, dificilmente se faz notar.

»É coisa sabida como então a perseguição violentava os cristãos para que negassem Cristo; mas eles, confessando o nome de Cristo, eram coroados. Agora ensina a negar a Cristo e, enganando-os, não quer que pareça que os afasta de Cristo»[1].

Santo Agostinho dirigiu essas palavras a cristãos que viveram há mais de mil e seiscentos anos. Você não acha que são plenamente atuais?

Na nossa época, o leão continua ativo: matou, encarcerou e torturou mais cristãos nos últimos decênios do que na “era dos mártires”, nos três primeiros séculos do Cristianismo. Há atualmente notícias dolorosas de muitos cristãos degolados pelos islâmicos fanáticos da sharia; de igrejas inteiras repletas de fiéis, que foram incendiadas em várias localidades da Ásia e da África. E nem precisaríamos lembrar os horrores do nazismo e dos gulags comunistas em anos relativamente recentes.

É verdade. O leão continua ativo. Mas, hoje, é muito mais ampla, insidiosa e “eficiente” a perseguição do dragão. O veneno sutil é instilado quase todos os dias no ambiente que nos rodeia, no ar que respiramos, na mente indefesa de crianças e adolescentes.

Trata-se das constantes campanhas midiáticas, educacionais e legislativas, destinadas a varrer os mais altos valores do ser humano feito à imagem de Deus; campanhas dirigidas a desacreditar a Igreja e a reduzir os cristãos a cidadãos de segunda categoria que é preciso silenciar. Nem sequer se lhes tolera – como dizia São Tomás More no seu processo – o direito de ficarem calados. Escolas, professores, são obrigados a seguir programas obrigatórios e propagar ideologias que contrariam frontalmente as suas opiniões, crenças e convicções.

Alguns se perguntam: Será que, em nome da liberdade, e de uma maneira muito falsificada de encarar os “direitos humanos”, já chegamos a uma cultura de mordaça totalitária? Minorias ideológicas, tirânicas, parecem querer apoderar-se de todos, como se fôssemos gado de seus currais.

É natural sofrer vendo que aquilo que aos olhos de Deus é belo e grande, está sendo diariamente agredido: os valores do amor humano e do matrimônio, a família, o caráter sagrado da vida, o sentido do sexo tal como Deus o quis, o direito dos pais de educar os filhos conforme as suas convicções.

Mas esse sofrimento, na vida do cristão, não pode converter-se em pessimismo. Tenhamos sempre diante dos olhos as palavras com que Jesus advertia os Apóstolos, quando se despedia deles na Ultima Ceia: Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro, me odiou a mim… Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior que o seu senhor. Se eles me perseguiram, também vos perseguirão (Jo 15,18.20).

É uma profecia que parece sombria e que, no entanto, conclui luminosa, com um cântico de esperança e de vitória: No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo!  (Jo 16,33).

São João, na sua primeira Carta, fala do segredo dessa vitória: Todo o que nasceu de Deus [pelo santo Batismo] vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.

A fé! Primeiro, assumamo-la como um verdadeiro ideal de vida, como a luz da nossa alma, da nossa mente, do nosso coração. Para nós, “crer” deve ser “viver”.

«Um segredo. – Um segredo em voz alta: estas crises mundiais são crises de santos. – Deus quer um punhado de homens “seus” em cada atividade humana»[2]. Não duvide de que a hora atual é hora de santidade, hora de viver a plenitude da fé e de transmitir a luz e o calor do amor de Cristo a muitos.

Por isso mesmo, é hora de procurar a formação necessária para que a nossa fé cristã seja cada vez mais sólida e profunda, inabalável.

Em época de sombras e penumbras equívocas, não basta um conhecimento elementar e fragmentário da verdade católica. É preciso superar aquilo que santo Agostinho chamava “jejum de luz”. É um dever, agora, procurar o aprimoramento da formação doutrinal com tanto ou mais empenho do que colocamos na aquisição de formação profissional, técnica ou cultural. É hora da responsabilidade, da vibração e da alegria que procedem do deslumbramento da fé, em contrate com a escuridão que nos cerca.

«Urge difundir a luz da doutrina de Cristo – diz são Josemaria. – Entesoura formação, enche-te de clareza de ideias, de plenitude da mensagem cristã, para poderes depois transmiti-la aos outros. – Não esperes umas iluminações de Deus, que Ele não tem por que dar-te, quando dispões de meios humanos concretos: o estudo, o trabalho»[3].

Pense nisso, e tire suas conclusões práticas. Não para começar amanhã, mas hoje.

[rascunhos para um futuro livro]

[1] Enarrações sobre os Salmos, Sl 91,13

[2] Caminho, n. 301

[3] Forja, n. 841

AS LÁGRIMAS QUE DEUS GUARDA

 

OS SALMOS, NOSSO ESPELHO

12 –  AS LÁGRIMAS QUE DEUS GUARDA

─ Em Deus confio, não temerei… Contaste os passos da minha caminhada errante, minhas lágrimas recolhes no teu odre (Salmo 56,5.9).

Há lágrimas que se evaporam, como uma chuva de verão, pois brotam de sentimentos superficiais e passageiros. Há lágrimas corrosivas, como as da raiva, o ódio e a inveja. E há lágrimas que Deus recolhe e guarda no seu “odre”, como se guarda um perfume.

Apoiados nos Salmos, vamos meditar em algumas dessas lágrimas que Deus guarda eternamente no seu “odre”. São daqueles tesouros no Céu, de que fala o Evangelho (Mt 6,20).

  • Amo o Senhor porque escuta o clamor da minha prece… Volta, minha alma, à tua paz, pois o Senhor te fez o bem; ele me libertou da morte, livrou meus olhos das lágrimas (Salmo 116,1.7-8).

Deus sempre escuta a oração sincera, feita com confiança filial, às vezes ungida com as com lágrimas da tristeza ou do desencanto.

A conversa confiante com nosso Pai Deus sempre nos alcança, haja o que houver, o dom da paz, o bem que mais anseia a nossa alma; e isso nas mais variadas vicissitudes da vida: na fortuna e na adversidade, no sucesso e no fracasso, na saúde e na doença, no riso e no pranto … Como é bom saber que, orando, sempre podemos encontrar a paz, apertando o nosso coração junto do coração de Cristo, mesmo que, sobre essa paz, algumas lágrimas ainda molhem o sorriso. Quanta razão tinha São Josemaria quando ensinava: «A oração é indubitavelmente o “tira-pesares” dos que amamos a Jesus»[1].

  • Quem semeia entre as lágrimas colherá com alegria. Quando vai, vai chorando, levando a semente para plantar; mas quando volta, volta alegre, trazendo seus feixes (Salmo 126,5-6).

Esse versículo traz ao pensamento o que dizia Jesus, no domingo de Ramos, entrando em Jerusalém: Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto (Jo 12,24). Só enterrando, pouco a pouco, o nosso egoísmo – esse terrível câncer da alma – é que poderemos colher frutos de amor e saborear o pão da alegria.

Como nos custa entender isso! Parecem loucura as palavras de Jesus: Quem quiser guardar a sua vida, a perderá; e quem perder a sua vida por causa de mim, a encontrará (Mt 16,25). Não é absurdo, não é pedir demais? No entanto, para quem o experimenta, esse é o único caminho feliz, porque é o caminho do amor. Como diz uma velha cantiga:

Amor que não pena

                                               não peça prazer,

                                               pois que já o condena

                                               seu pouco querer.           

Amar é “dar”, amar muito é “dar-se”, e isso não se consegue sem renunciar a “si mesmo”, como diz Jesus: aos desejos, vontades, prazeres, planos e anseios que são meramente egoístas. Renunciar por Amor não é perder, mas ganhar.

O Senhor, que nos chama a segui-lo pelo caminho do Amor, dá-nos a senha desse caminho: Se alguém quer me seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me (Mt 16, 24). Cruz, sacrifício, renúncia voluntária e amada. «Nenhum ideal se torna realidade sem sacrifício»[2]

  • Junto aos rios da Babilônia, nós nos sentamos a chorar, com saudades de Sião (Salmo 137,1).

Os judeus deportados para a Babilônia por Nabucodonosor, choram as saudades da Jerusalém incendiada e destruída, lembram-se dos cânticos do Templo, dos dias felizes junto do monte Sião.

Por que foram desterrados? Daniel o reconhece nesta sua oração: Foi justa a sentença que proferiste, justos os castigos que nos mandaste a nós e a Jerusalém, cidade santa dos nossos pais. Tudo aquilo que nos mandaste foi sentença justa, por causa dos nossos pecados. Sim! Pecamos! Foi um crime afastarmo-nos e ti! (Dn 3,28-29).

Mas, mesmo lamentando essa desgraça tremenda, o profeta confia em que Deus, ao ver o arrependimento do seu povo, o tratará conforme a sua misericórdia. Por isso, promete, em nome de todos: Mas, agora, vamos te seguir sempre, de todo o coração (Dn 3,41-42).

Essas lágrimas que queimam são as que o nosso coração derrama quando toma consciência dos seus pecados, “acordando” às vezes de um longuíssimo pesadelo. Como o filho pródigo ferido no coração pelas saudades da casa do Pai que renegou (cf. Lc 15,17-19).

Como são boas as lágrimas de quem, tendo errado, retifica, dá uma virada sincera e se decide a voltar ao caminho de Deus. Esse coração arrependido escutará Deus Pai que lhe diz: Façamos uma festa: este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado (Lc 15,24).

  • Senhor, não me repreendas em tua ira… Tem piedade de mim, Senhor… Inundo de pranto meu catre toda a noite e banho de lágrimas o meu leito(Salmo 6,1.3.7).

Uma exegese clássica colocava esses versos na boca de Davi, depois do seu adultério com Betsabéia e da morte do esposo dela, Urias (2 Sm 11,2 seg.). Banho de lágrimas o meu leito!

São as lágrimas da contrição, da dor da alma que esqueceu e ofendeu  a Deus. «Choras? – Não te envergonhes. Chora; sim, os homens também choram, como tu, na solidão e diante de Deus. – Durante a noite, diz o rei Davi, regarei de lágrimas o meu leito. – Com essas lágrimas, ardentes e viris, podes purificar o teu passado e sobrenaturalizar a tua vida atual»[3]. 

Tenho a convicção – e assim o escrevi há tempos – de que uma das maiores desgraças que um homem pode ter é não ser capaz de se arrepender. Será fatalmente um ser humano achatado, mutilado na sua grandeza e diminuído na sua dignidade. Será um homem ou uma mulher que espiritualmente não chegará a vingar. Aquele que não “sabe” arrepender-se, fica estagnado, cego; cristaliza nos seus defeitos, rotinas e mediocridades, e morre ignorando o que significa a palavra amor, mais especificamente, aquela que encabeça o primeiro e principal de todos os mandamentos: “Amarás a Deus sobre todas as coisas”.

»Enquanto não brotar uma lágrima de verdadeiro arrependimento, o coração humano, mesmo o que parece bom e limpo, não possuirá o segredo da porta de acesso ao Coração de Cristo, ou seja, ao Amor com maiúscula. As lágrimas penitentes são essa chave. Sem elas, para nós, pecadores, não há outra que abra [4].

 

[1] Forja, n. 756

[2]Caminho, n.

[3] Caminho, n. 216

[4] Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens, 1ª ed. Quadrante, São Paulo 1993, p. 54

Palavras de fé do Papa João Paulo II em seu testamento

JAN PAWEŁ II

No documento estão recomendações para a hora da sua morte e belíssimas reflexões sobre a fé

No dia 02 de abril de 2005, o Papa do Milênio João Paulo II, morria aos 84 anos depois de um longo período de enfermidade.

Com 26 anos de um longo e frutuoso pontificado, João Paulo II foi o papa com o terceiro maior tempo à frente da Igreja Católica.

O Papa que logo após a sua morte foi aclamado “Santo Súbito” pelo povo, foi canonizado em 2014, pelo Papa Francisco.

Dos documentos que escreveu e deixou como herança para a Igreja, escolhemos o seu Testamento, onde deixa algumas reflexões.

O texto foi redigido em diversas datas durante 21 anos. O primeiro registro foi feito em 06 de março de 1979, durante o retiro quaresmal e o último, no dia 17 de março do ano 2000, durante o Jubileu do Milênio. 

Na maior parte do texto, ele deixa recomendações para a hora de sua morte, mas em alguns momentos ele lança um olhar sobre a sua vida, compartilhando algumas palavras de fé. Confira:

Todo de Maria (Totus tuus)

“‘Vigiai, porque não sabeis em que dia o Senhor virá’ (cf. Mt 24, 42) estas palavras recordam-me a última chamada, que acontecerá no momento em que o Senhor vier. Desejo segui-lo e desejo que tudo o que faz parte da minha vida terrena me prepare para este momento. Não sei quando ele virá, mas como tudo, também deponho esse momento nas mãos da Mãe do meu Mestre: Totus Tuus. Nas mesmas mãos maternas deixo tudo e todos aqueles com os quais a minha vida e a minha vocação me pôs em contato. Nestas mãos deixo sobretudo a Igreja, e também a minha nação e toda a humanidade. A todos agradeço. A todos peço perdão. Peço também a oração, para que a misericórdia de Deus se mostre maior que a minha debilidade e indignidade.” (06 de março de 1979)

Despojamento 

“Não deixo propriedade alguma da qual seja necessário dispor. Quanto aos objetos de uso cotidiano que me serviam, peço que sejam distribuídos como for oportuno.” (06 de março de 1979)

Confiança

“Desejo confiar-me mais uma vez totalmente à graça do Senhor. Ele mesmo decidirá quando e como devo terminar a minha vida terrena e o ministério pastoral. Na vida e na morte Totus Tuus mediante a Imaculada.” (24 de fevereiro de 1980 a 01 de março de 1980)

Pertenço ao Senhor 

“No dia 13 de Maio de 1981, o dia do atentado ao Papa durante a audiência geral na Praça de São Pedro, a Divina Providência salvou-me de modo milagroso da morte. Aquele que é o único Senhor da vida e da morte, Ele mesmo me prolongou esta vida, de certo modo concedeu-ma de novo. A partir desse momento ela pertence-lhe ainda mais. Espero que Ele me ajudará a reconhecer até quando devo continuar este serviço, para o qual me chamou no dia 16 de Outubro de 1978. Peço-lhe que me chame quando Ele mesmo quiser. ‘Na vida e na morte pertencemos ao Senhor… somos do Senhor’ (cf. Rm 14, 8). Também espero que enquanto me for concedido cumprir o serviço Petrino na Igreja, a Misericórdia de Deus me queira conceder as forças necessárias para este serviço.” (17 de março de 2000)

A riqueza do Concílio Vaticano II

“Estando no limiar do terceiro milênio ‘in medio Ecclesiae’, desejo mais uma vez expressar gratidão ao Espírito Santo pelo grande dom do Concílio Vaticano II, ao qual juntamente com toda a Igreja e sobretudo com todo o episcopado me sinto devedor. Estou convencido de que ainda será concedido às novas gerações haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos concedeu.” (17 de março de 2000)

Deus vos recompense

“À medida que se aproxima o limite da minha vida terrena volto com a memória ao início, aos meus Pais, ao Irmão e à Irmã (que não conheci, porque morreu antes do meu nascimento), à paróquia de Wadowice, onde fui batizado, àquela cidade da minha juventude, aos coetâneos, companheiras e companheiros da escola elementar, do ginásio, da universidade, até aos tempos da ocupação, quando trabalhei como operário, e depois na paróquia de Niegowic, na paróquia de São Floriano em Cracóvia, à pastoral dos acadêmicos, ao ambiente… a todos os ambientes… a Cracóvia e a Roma… às pessoas que de modo especial me foram confiadas pelo Senhor. A todos desejo dizer uma só coisa: ‘Deus vos recompense’.” (17 de março de 2000 )

 

(Via A12.com)

 

Se você se afastou de Deus, leia isso

Não importa a distância que você esteja de Deus, pois Ele pode te alcançar e trazer de volta

Aquele calor que aquecia seu coração se foi. Os olhos que antes choravam ao ouvir certas canções não lacrimejam mais. Agora evita pensar em Deus e não quer ouvir nada relacionado a Ele. Não consegue mais olhar para Jesus e se sentir bem, pois quando o vê se sente mal por mais que Ele não te condene e nem julgue, mas algo em você sente um desconforto e por isso prefere se manter longe.

Porém, seu mundo desabou e atualmente você dança sobre as ruínas do castelo onde se abrigava quando a chuva vinha. E não há mais esconderijo, não há mais âncora que te prenda ao chão, não há mais lugar secreto para ser quem você é sem máscaras. É apenas você e sua vontade de mostrar a todos que está bem. Você e seu instinto de sobrevivência que te leva para onde deve ir enquanto um vazio vai consumindo sua vida aos poucos.

E conforme vai se afastando, uma estrada sem fim se abre entre você e Deus. Uma estrada onde a dor corre solta, onde não há abraço e nem beijo na testa, mas um caminho solitário, pois você escolheu andar só para mostrar sua independência e que não precisa de Deus, que só precisa de si e de mais ninguém.

Porém, suas pernas estão cansadas de tanto andar, está se cansando de perseguir objetivos e consumir aquilo que o mundo oferece, pois a paz que você ganha vai embora em pouco tempo. Você está se fatigando à toa, pois não aceita que Deus te leve no colo, não quer que Ele te sustente, pois acha que sem Ele conseguirá chegar ao outro lado e que lá tudo será diferente. Mas é ilusão. Tudo isso que consola seu coração é ilusão.

Não há como satisfazer uma alma que pertence ao céu com aquilo que o mundo dá e, por mais que você não aceite, sua alma não é daqui, ela é de lá.

Sua alma sente saudade de louvar a Deus e chorar aos seus pés. Sua alma sente saudade de sentar nos bancos da igreja e ouvir uma palavra que fala sobre você e que te ajude a ser alguém melhor. Sua alma sente falta de orar ajoelhada ao lado de sua cama e falar sobre seu dia, seus medos infantis, seus sonhos considerados impossíveis.

Sua alma sente saudade do amor que recebia sem merecer, dos cuidados e consolos que o Espirito Santo te dava quando você dizia que não havia ninguém disposto a te estender a mão. Sua alma quer abraçar o Pai, quer ser carregada por Ele, quer receber cura para essas feridas que o mundo causou. Sua alma sente saudade, mas você a está sufocando, dizendo que isso é imaginação, é perda de tempo e não faz sentido.

Mas sua alma quer voltar a acreditar, quer voltar a ter esperança de que o amanhã será melhor porque Cristo vive.

Seu orgulho não quer confessar nada disso e sua imagem não quer transmitir que precisa de Deus, mas você sabe que precisa, você acredita que Ele existe e que é o seu Criador. Porém, você está lutando para se convencer de que não precisa Dele, que ficará bem sem as regras que Ele te dava, sem os mandamentos que precisava obedecer e sem a luta constante que havia entre a carne e o Espirito.

Você parece tão feliz com a sua liberdade onde pode fazer o que quiser e ser alguém diferente para assim surpreender os outros, para novamente mostrar que aquilo que dizem sobre seu coração é mentira, que você está bem sim e que nunca esteve numa fase melhor. Mas você não convence o Espirito de Deus.

Você pode enganar a si e aos outros, mas você não mentir para Aquele que sabe e fez todas as coisas.

Ele conhece aquelas partes que você não sabe que existem dentro do teu corpo. Ele que te formou no ventre da tua mãe, Ele que te chamou com um propósito e deu à sua vida um sentido. Eu sei que a dor, decepções, críticas que recebeu de pessoas cristãs, além de as pessoas que te machucaram, os relacionamentos que não deram certo, as portas que se fecharam, os amores que foram embora, tudo isso te esfriou e levou embora a sua fé.

Eu sei que é difícil acreditar que existe mesmo um Deus que é Amor quando você precisa de algo e nada acontece. Quando você ora e o milagre não vem, e você chora e não se sente consolada. Mas eu também sei que há coisas ruins que nos acontecem que não poderemos entender aqui e sim só no céu, e que por sermos criaturas pequenas precisamos nos humilhar e confiar no Criador. Pedir para ter fé quando é impossível acreditar Nele e pedir também para Ele não te deixar desistir.

Você consegue abrir um pouco o coração, pode ser qualquer brecha, mas abrir um pouco para deixá-lo entrar? Deus quer voltar a morar no seu peito. Ele quer que você permaneça na presença Dele e que não saia do centro do seu amor. Ele sabe que há uma distância considerável entre vocês e que no meio desse caminho há muita dor, feridas, perguntas, dúvidas, mágoas e até raiva. Ele sabe que você tem medo de ser machucada de novo e Dele permitir mais um sofrimento na sua vida.

Ele não garante que a vida ao lado Dele será livre de dor e que será só alegria, pois enquanto estivermos no mundo estamos sujeitos a sofrer aflições, mas que Ele estará conosco em cada uma dessas tribulações, nos fortalecendo e curando. Ele sabe que você já tentou voltar e não conseguiu, mas é que você tentou sozinha, você não O chamou, agora Ele quer tentar contigo.

Arrependa-se dos seus maus caminhos, confesse o que fez de errado e clame pelo sangue de Jesus que te purificará de tudo. Deixe agora de se preencher com os vazios desse mundo, pois você pode sentir paz, felicidade e amor sem precisar disso que está fazendo agora. Deus quer que, através do relacionamento com Ele, você O conheça, se conheça e entenda o que deve ser e fazer. Ele quer te mostrar o que há no íntimo do coração Dele.

Ele quer te encontrar no secreto do seu quarto e lá falar ao seu coração tudo que você precisa saber para perdoar a si e aos outros, para voltar a acreditar e a amar o Deus que nunca deixou de te esperar. Não se encha mais de desculpas, medos ou vergonha. Ele te perdoa, aceita e cura. Não importa a distância, Ele vai correr para te encontrar e, se você permitir, Ele te pegará no colo para te levar de volta para o centro do seu amor e graça.

E se neste momento o Espírito Santo te convenceu a voltar aos braços do Pai e se reconciliar com Ele através de Jesus Cristo, faça uma oração e aqui estão algumas palavras que podem te ajudar a começar a sua prece:

“Senhor, eu me arrependo de tudo, estou aqui para pedir perdão por meus erros, pecados e defeitos. Para pedir que o sangue de Jesus me limpe e purifique de todo o pecado que cometi, e que esse sangue leve embora numa enxurrada as barreiras que me afastam de Ti. Eu quero voltar para os teus braços, eu quero outra vez ter comunhão contigo, eu quero me reaproximar e novamente ser filho (a), servo (a) e adorador (a). Me ensine a andar no teu caminho, pois eu sei que o único caminho até Deus é Jesus Cristo. Por isso aceito Jesus como meu único e verdadeiro Salvador. Escreva meu nome no livro da vida e me prepare para a volta de Cristo que vem buscar sua igreja. Me fortaleça para eu abrir mão do pecado, me ajuda a dizer não a voz do inimigo e dizer sim para a voz do Espírito Santo. E a partir de agora quero começar um relacionamento contigo, que se torne meu Pai e Melhor Amigo. Quero ir além daquilo que terei na Igreja, quero que o Senhor me mostre o meu dom, fale qual o meu chamado e me prepare para sua boa obra. Não me deixe afastar de novo do teu caminho, me prenda em Ti, me afasta do mal e me livre do que o mundo quer me fazer. Peço e agradeço com fé, amém.”

(via Ela já foi verão)

Padre Pio e os Três Dias de Trevas

Refúgio do Lente

De uma tradução de uma cópia de uma carta particular escrita pelo Padre Pio, dirigida à Comissão de Heroldsbach, designada pelo Vaticano, que testemunha a verdade e a realidade dessas revelações sobre os Três Dias de Trevas, dadas pelo Nosso Senhor ao Padre Pio, um padre capuchinho marcado por estigmas.

28 de janeiro de 1950

Mantende bem cobertas as vossas janelas. Não olheis para fora. Acendei uma vela benta, que será suficiente para muitos dias. Rezai o rosário. Lede livros espirituais. Fazei atos de comunhão espiritual e também atos de amor, que são tão agradáveis para Nós. Orai com os braços estendidos, ou prostrados no chão, a fim de que muitas almas possam ser salvas. Não vades para fora de casa. Provede-se com comida suficiente. As forças da natureza deverão ser impelidas e uma chuva de fogo deverá fazer as pessoas tremerem de temor. Tende coragem! Eu estou no meio…

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Quer aprender a rezar com Teresa D’Ávila?

teresadavila

Conheça algumas dicas de oração que esta grande santa e doutora da Igreja nos deixou…

Primeiro, é necessário criar um clima de oração.

É preciso fazer silêncio e nos perguntar: O que devemos fazer para experimentar a alegria da vida em comunhão com o Senhor?

Tem que ficar bem claro para nós o que ficou marcado na espiritualidade Teresiana:

– Crer que Deus é uma pessoa que nos ama e nos procura. Deixar-se amar por Ele.

– Tomar uma decisão corajosa, dedicando todos os dias um “tempo” à oração e ser fiéis a este tempo, custe o que custar.

– Não se preocupar em pensar, refletir, mas em amar, sabendo que o Senhor gosta da nossa presença silenciosa.

– Dialogar muito com Deus, como fazemos com o maior de nossos amigos.

O método teresiano-carmelitano

Caminhar sozinho é difícil; a ajuda fraterna de alguém que conhece bem o caminho nos conforta, pois faz-nos gastar menos tempo e com menos cansaço chegaremos com mais segurança à meta.

Há vários métodos de oração, assim como há vários métodos para aprender a tocar violão, piano, pintura, dirigir carro, línguas… O importante não é o método, mas sua finalidade.

Os métodos de oração têm como objetivo levar o homem a dialogo com Deus. Os métodos são passageiros, pois uma vez que aprendemos, cada um torna-se método de si mesmo.

No início da vida tudo se aprende. Também os maiores autodidatas tiveram necessidade de olhar para algum modelo e seguir os seus passos.

Seja claro. Teresa d’Ávila não escreveu nenhum método de oração; ela simplesmente relatou com simplicidade e humildade a sua experiência de Deus, através do caminho da oração.

Os Carmelitas e as Carmelitas Descalças, logo depois da morte da “Madre Teresa”, debruçando sobre seus escritos, formularam um método de oração, que foi apresentado pela primeira vez em 1591, estando presente o guia iluminado de Santa Teresa, São João da Cruz.

Em que consiste o método teresiano? – Desde o início desta nossa caminhada temos repetido mais de uma vez que para Teresa, Deus é amor e a oração é amor, é deixar-se amar. Na oração teresiana a afetividade ocupa um lugar de destaque sobre a reflexão intelectual.

No Carmelo vai-se a Deus mias com o coração, com o amor, do que com o esforço da inteligência.

O Carmelita ama através da fé, sem se preocupar demasiadamente em entender ou investigar o que ama. O amor não quer explicações: simplesmente ama. O coração embriagado e seduzido é embalado por uma força misteriosa que o faz delirar e o leva a uma entrega total, incondicionada, ao ser amado.

O método carmelitano-teresiano está alicerçado sobre duas expressões características de Santa Teresa:

– “A oração é um íntimo relacionamento de amizade, um entreter-se à sós com aquele de quem temos a certeza que nos ama”. (V. 8,5)

– “Para progredir no caminho da oração e subir às mansões a que tendemos o essencial não está no muito pensar, mas em muito amar”. (4M. 1,7)

A oração teresiana em sete momentos:

1. Colocar-se na presença de Deus, arrepender-se dos próprios pecados (rezar, confessar, fazer um ato penitencial), pedir a Deus a luz do Espírito Santo para que nos seja concedida a graça de encontrar-nos com o Senhor.

2. Leitura de um bom texto. De preferencia da Sagrada Escritura, “Imitação de Cristo, ou um livro que nos tenha feito bem. evitar livros que não conhecemos e que vamos ler pela primeira vez.

3. Reflexão sobre o texto lido, confronto com a Palavra de Deus.

4. Colóquio afetivo. É o centro da oração. Um diálogo íntimo com Deus, abertura do coração, falar com Ele face-a-face. Amar e deixar-se amar por Deus.

5. Agradecimento pelos benefícios recebidos; descobrir em nós e nos outros as maravilhas operadas por Deus.

6. Oferecimento de si mesmo, propósito. Deus é o Senhor da nossa vida. A Ele devemos oferecer-nos e entregar-nos com docilidade como o barro nas mãos do oleiro. Quem ama compromete-se: O propósito é o nosso compromisso de fidelidade, a nossa resposta á fidelidade e aliança terna de Deus conosco.

7. Pedidos de ajuda ao Senhor. Conscientes da nossa fraqueza, pedimos força e coragem ao Espírito Santo para darmos testemunho da verdade. É o último agradecimento quando já estamos prontos de novo para a luta pelo Reino de Deus.

O método carmelitano é um caminho calmo, sereno. Até no silêncio Deus fala ao homem que o procura.

“Vocês pensam que Deus não fala porque não se ouve a sua voz? Quando é o coração que reza ele responde.” (C. 24,5).

Texto retirado do livro: Deixe-se Amar, Experiência de Deus com Teresa D’Ávila. Frei Patrício Sciadini, O.C.D.