Fora do coração

“A maioria de nós vive fora do coração e nossa mente permanece em um constante estado de confusão. Alguns bons pensamentos podem vir à tona de vez em quando, mas a maioria será prejudicial, e esta condição destrutiva irá prevalecer durante o tempo que continuarmos a ignorar nosso coração… As orações de uma mente fragmentada não têm nem clareza nem profundidade, mas uma mente reunida com o coração transborda de oração humilde e tem tal força que chega aos ouvidos do Senhor de Sabaoth.”

— Arquimandrita Zacharias de Essex

Ler

Ler sem pressa e sem obrigação, ler como quem passeia, um tanto ao acaso, na companhia de ideias e devaneios, antepassados ilustres e bons amigos. Não custa caro, não polui, não alastra a peste. A palavra impressa silencia a balbúrdia e o atropelo febril da metrópole. Ela faz de cada um de nós indistintamente, sem diferença de raça, idade, classe ou credo, o herdeiro legítimo do maior patrimônio jamais construído pelo trabalho e pelo talento de todas as gerações passadas. A felicidade não se aprende nos livros, mas pode brotar deles. O texto semeia, a leitura insemina. Leia livros.

Eduardo Giannetti

Importância do perdão

“Quem perdoa se liberta, se alivia, fica tranquilo e encontra a paz. Quem recusa a perdoar vive angustiado, rancoroso, intranquilo e se torna escravo do próprio instinto. O rancor e o ódio fazem mal à alma e também à saúde do corpo. Perdoar não é apenas preceito religioso, mandamento de Deus, mas é também receita de boa saúde e tranquilizante do sistema nervoso”.

(Frei Anselmo Fracasso, OFM)

Para oferecer os dons


Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade,a minha memória também, o meu entendimento e toda a minha vontade. Tudo o que tenho e possuo. Vós me destes com amor. Todos os dons que me destes, com gratidão vos devolvo. Disponde deles, Senhor, segundo a vossa vontade. Dai-me somente o vosso amor, vossa graça. Isso me basta,nada mais quero pedir. Amém!

(Mosteiro Nossa Senhora da Paz).

Libertando-se 

Costumamos ficar emaranhados
Em nossas preocupações e aflições.
Então a nossa ansiedade e temores
Transformam-se em correntes
Que nos aprisionam e impedem de seguir.
Como podemos nos libertar
Se ficamos cada vez mais
Enredados nas nossas emoções?
As nossas correntes poderão
Ser rompidas apenas quando decidirmos
Que é chegada a hora de pedir ajuda.
Quando vemos que não
Estamos progredindo muito
Sozinhos e clamamos a Deus
Em nossa angústia,  ajuda vem.
(Joan Guntzelman)

GRAUS DA PERFEIÇÃO – SÃO JOÃO DA CRUZ (Pequenos Tratados Espirituais)

1. Por nada deste mundo cometer pecado, nem mesmo venial com plena advertência, nem imperfeição conhecida.

2. Procurar andar sempre na presença de Deus, real, imaginária ou unitiva, segundo se coadune com as obras que está fazendo.

3. Nada fazer nem dizer coisa de importância que Cristo não pudesse fazer ou dizer se estivesse no estado em que me encontro e tivesse a idade e a saúde que eu tenho.

4. Procure em todas as coisas a maior honra e glória de Deus.

5. Por nenhuma ocupação deixar a oração mental que é o sustento da alma.

6. Não omitir o exame de consciência, sob pretexto de ocupações, e, por cada falta cometida, fazer alguma penitência.

7. Ter grande arrependimento por qualquer tempo não aproveitado ou que se lhe escapa sem amar a Deus.

8. Em todas as coisas, altas e baixas, tenha a Deus por fim, pois de outro modo não crescerá em perfeição e mérito.

9. Nunca falte à oração e quando experimentar aridez e dificuldade, por isso mesmo persevere nela, por que Deus quer muitas vezes ver o que há na sua alma e isso não se prova na facilidade e no gosto.

10. Do céu e da terra sempre o mais baixo e o lugar e o ofício mais ínfimo.

11. Nunca se intrometa naquilo de que não te encarregaram, nem discuta sobre alguma coisa, ainda que esteja com a razão. E, no que lhe for ordenado, se lhe derem a unha (como se costuma dizer) não queira tomar também a mão, pois alguns, nisto se enganam, imaginando que têm obrigação de fazer aquilo que, bem examinado, nada os obriga.

12. Das coisas alheias não se ocupe, sejam elas boas ou más, porque além do perigo que há de pecar, essa ocupação é causa de distrações e amesquinha o espírito.

13. Procure sempre confessar-se com profundo conhecimento de sua miséria e com sinceridade cristalina.

14. Ainda que as coisas de sua obrigação e ofício se lhe tornem dificultosas e enfadonhas, nem por isso desanime, porque não há de ser sempre assim, e Deus, que experimenta a alma simulando trabalho no preceito (cf. Sl 93,20), daí a pouco lhe fará sentir o bem e o lucro.

15. Lembre-se sempre de que tudo quanto passar por si, seja próspero ou adverso, vem de Deus, para que assim nem num se ensoberbeça nem no outro desanime.

16. Recorde-se sempre de que não veio senão para ser santo e assim não consinta que reine em sua alma algo que não leve à santidade.

17. Seja sempre mais amigo de dar prazer aos outros do que a si mesmo e, assim, com relação ao próximo, não terá inveja nem predomínio. Entenda-se, porém, que isso se refere ao que for segundo a perfeição, porque Deus muito se aborrece com os que não antepõem o que lhe agrada ao beneplácito dos homens.

(Fonte: blog Escritos dos Santos)

Cruz

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Uma meta a longo prazo

nos exige esforço

duro e prolongado.

Mas um cálculo

nos dá a confiança de que vale a pena.

talvez a cruz

seja somente um investimento.

 

Por amor a outra pessoa,

sacrificamos com gosto

tempo, força e dinheiro.

A cruz se chama

solidariedade com o outro

que sinto de algum modo

parte de mim mesmo.

 

Um golpe repentino,

pode fulminar-nos em um instante,

e nossa existência

fica ferida sem remédio.

Perde-se a saúde,

um ser querido,

ou a estima pública.

Arranca-se um galho verde,

uma parte viva do eu.

Quando esta mutilação

encontra seu repouso,

a cruz se chama

aceitação.

 

Existe a cruz livre

a que escolho

aquela da qual não fujo.

Mas uma vez nela pregado

já não posso descer

quando quero.

Entregam-se

os projetos aos cravos

a fantasia aos espinhos

o nome aos rumores

os lábios ao vinagre

e os bens à partilha.

Aqui a cruz se chama

fidelidade ao amor no amor,

que é canto e fortaleza

ressuscitando pela ferida.

 

AUTOR: Benjamim Gonzalez Buelta, sj.